Eu acredito…em mim!

Nunca foi boa nas seguintes coisas: localização geográfica, controle das horas, não transparecer seus sentimentos e parar de escrever. Vez ou outra até conseguia realizar todos esses feitos ao mesmo tempo, escrevia qualquer nota em seu celular ou fazia listas de coisas que gostaria de fazer/ter/realizar, não prestava atenção no caminho, sempre tropeçando em alguém e assim, fazia suas caretas intermináveis, terminando por perder a hora marcada.

Era doce e tantas vezes colocava o sentimento de quem tinha carinho em primeiro lugar, cresceu no meio de livros, desenhos, histórias e magia – de lugares, de coisas e de pessoas – e seguia sua rotina feliz com o que viesse – tudo que era para ser teria sua hora.

Foi assim que em um dia, sem perceber, um vendaval a atingiu. Era tempo de mudança, tempo de se reescrever; as circunstâncias queriam assim e assim seria. Foi então que a época mais tortuosa da sua vida começou e também a sua melhor.

Vejam só, “quem caí sete vezes, levanta oito”, e ela cresceu a ponto de se tornar maior que seus sonhos, cresceu a ponto de querer o mundo e ser filha dele mesmo. Decidiu se aventurar mais, mergulhar na realidade da vida e na fantasia de seus contos, se apaixonar – por si e pelos outros – e desfazer dessa ideia boba de colocar sentimentos alheios acima dos seus.

Ela tinha alma de artista, era e é uma arte por si só. Quando queria lutava para conquistar e se iluminava mesmo com o que se pusesse em sua frente, tudo é aprendizado, vejam, ela merecia o mundo e conquistaria ele, como deve ser e será.

Jade Goulart

Amanda 

Amanda era assim: vistosa. Cabelo cacheado, coração de leão. Queria o mundo todo porque é no mundo que busca se achar, é reflexo da alma de marinheiro que grita por algo a mais.

Não tinha santo que a segurasse quando tomava uma decisão, não tinha amor, não tinha perigo, não tinha nada além do que desejava e suava, ia longe para conquistar.

A menina era 08 ou 80, alegria ou choro, verão ou inverno, rock ou blues, paraíso ou inferno; aí de quem pisasse em seu calo, a dor que provocava não era física, atingia logo o coração.

Mas em meus braços ela sorria, era puro, perfeito em seu momento. Amanda dançava em meu quarto e eu lutava para o tempo não passar.

Nós pedimos para garotas como ela não saírem de nossas vidas, poucas as aventureiras, mas todos têm uma e querem estar ao seu lado; meu coração se enche e a diaba sorri.

Carinho, era assim que me chamava, desistiu de “amor” por ser subestimado e dizia baixinho enquanto o tempo se esvaía “o meu todo é sempre teu”.

Um belo dia chegou em minha casa, o olhar sóbrio, o corpo sereno, me explicou de um jeito tranquilo que queria partir. Meu corpo travou, o coração em choque, era o mundo a chamando por mais, “vem comigo, carinho, me acompanha” e eu não podia, o peso da responsabilidade guiando meu não.

E ela me abraçou se unindo mais uma vez, querendo dissipar a distância, nos tornar um…”se desisto, me perco; se continuo, te perco”.

O mundo parou naquele segundo infinito “vai leoa e volta, que meu peito é teu lar e se aquece quando faz morada”.

No final, nós pedimos para garotas como ela não saírem de nossas vidas, indispostos a dizer adeus.

Jade Goulart