ENEM, faculdade e minhas experiências

Alô, alô!

Como vocês estão, minha gente linda? Então, esse é um assunto que até agora não me pronunciei mas a minha colega @caroldavd deu um espetáculo com as suas experiências universitárias e aqui estou eu para falar sobre as minhas.

Quando fiz o ENEM em 2015 fiquei dividida entre veterinária e letras, quem passou por essa fase ou está passando sabe que surgem muitas dúvidas na nossa cabeça e são poucos os casos que a pessoa tem certeza sobre qual profissão seguir, então no final do ano eu optei por letras-literaturas na UFRJ e vi que o curso tinha tudo o que eu sempre quis.

Foi difícil porque eu moro em Maricá e a faculdade está no Fundão – no Rio – e pelo meu horário ser matutino, eu acordava – e ainda acordo – muito cedo para chegar às 07:30 no horário, quem estuda ou trabalha em cidades diferentes e principalmente depende de transporte público para se locomover sabe o quanto é cansativo essa “jornada” – ainda mais com o bate e volta diário hahaha

E logo no terceiro período eu quis ter como primeira experiência um estágio como mediadora de um menino autista, ainda hoje eu estou nesse trabalho que só me acrescenta como pessoa e também profissionalmente, mas não é fácil, por ser de tarde são poucas as horas que eu estudo por não ter uma moradia tão próxima assim.

Mas eu não me arrependo das minhas escolhas, o curso, a faculdade e o meu estágio me dão uma noção do quanto é satisfatório e lindo a profissão que eu carrego e sobretudo a importância que um professor tem na vida de cada aluno e o aprendizado que os mesmos com tão pouca idade podem transmitir.

Então, para os que estão começando ou passaram/passam por uma situação parecida comigo eu espero que tenham o melhor do que a vida universitária pode proporcionar, eu sei que é difícil e às vezes a batida fica tão pesada que dá vontade de desistir mas nós somos mais fortes.

E para os que estão querendo uma cadeira que a faculdade seja distante como a minha: calma, não se assustem, como eu disse é muito bom e satisfatório se encaixar naquilo que te faz feliz, as obrigações são o mínimo e a vivência é muito grande, é um outro universo e se vocês souberem aproveitar, sairão pessoas com uma bagagem maravilhosa por haver uma miscigenação de ideias nesse ambiente.

Então é isso, gente, eu espero que vocês tenham gostado e qualquer coisa comentem aqui embaixo que eu adoro responder vocês hahaha

Até uma próxima,

Jade Goulart

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Relato de uma universitária

Todas as noites quando me deito, penso na pessoa que sou e na pessoa que quero me tornar, acordo cedo todos os dias para ir à faculdade, às vezes almoço no ônibus para chegar na hora certa para o estágio e na volta ainda tenho que estudar para deixar a matéria em dia. Acho incrível a capacidade que as pessoas têm de julgar as outras, as amigas me chamam para sair aos fins de semana e eu digo que não dá, estou cansada, elas não entendem, as tias perguntam qual a razão das minhas olheiras constantes se só estudo, mas não é fácil estudar, trabalhar, manter a matéria em dia e não enlouquecer.

Eu estou passando a melhor fase da minha vida tentando construir o meu futuro, no ensino médio estudava dia e noite para passar no vestibular, passei com 17 anos, as pessoas dizem: você não fez mais que a sua obrigação, é sério? Eu estudei, me dediquei, abri mão de saídas e de relacionamentos para ter tempo o suficiente para estudar e passar porque caso contrário eu ia decepcionar os meus pais e ter que me virar em um trabalho que me pagasse o suficiente para bancar uma faculdade.

Eu chorava várias vezes por mês porque achava que não ia aguentar a pressão e quando passei, eu não sabia o que fazer com toda a informação porque tinha muito conteúdo para estudar e mal tive tempo para descansar. Desde que entrei na faculdade só venho tentado tirar notas boas para manter o meu c.r. alto, mas como eu vou manter as minhas notas altas se mal tenho tempo para respirar? Eu chego em casa e nem como, vou direto dormir de tão cansada.

Quando o dia começa tenho que me preocupar com a passagem, o valor que gastarei com o lanche, se terei tempo de almoçar ou não e se terei tempo de fazer um daqueles milhares de trabalhos da faculdade. Enfim, ser jovem nessa sociedade não é fácil, não tem sido fácil, dizem que na faculdade é pior, mas ninguém diz quão pior é, xerox, SIGA, comida, horário, trabalho. Nessa fase a gente sente que tem que carregar o mundo nas costas, mas talvez a gente nem tenha maturidade para agarrar tais tarefas, mas sabe de uma coisa? Embora seja difícil, mesmo que a gente sinta que não vai aguentar, dá tudo certo, eu cresci muito desde que entrei nessa faculdade, fui a única da minha turma que passou em todas as matérias sem ter que ir para a prova final, virei muitas noites, chorei muito, mas toda a nossa dedicação vale a pena e somos recompensados, não desistam, não percam a fé, é difícil, mas não é impossível, a recompensa chega, devagar, mas chega!

Relato de uma universitária que não pode tomar café e dorme apenas quatro horas por noite,

Caroline David.

Faculdade de Letras.

Quem me conhece sabe que meu sonho sempre foi fazer direito em uma federal, mas quando eu fiz o Enem vi que não daria para passar. E então, eu quis me garantir na minha segunda opção, letras. No início senti medo e fiquei preocupada, eu poderia estar tirando a vaga de alguém que realmente queria estar ali.

Assim que comecei o curso me apaixonei, pelo ambiente, pelas disciplinas e entendi o real motivo de não ter passado no vestibular para direito, o meu lugar era ali, naquela faculdade, com aquelas pessoas, estudando o que eu amo.

O tempo foi passando e o dinheiro apertando, tá aí o que ninguém conta, a passagem é cara, o lanche também e a xerox mais ainda. Eu sentia que precisava de dinheiro já que estava ficando pesado para os meus pais, afinal, eu era uma estudante desempregada que só dava despesas. Decidi que era hora de trabalhar, mas como se a faculdade é integral? Um estágio era o caminho, mas onde procurar? O que teria que fazer? Quem poderia me passar as informações? A resposta é simples, quem tem boca vai à Roma!

Depois de muito perguntar, fui encaminhada à Cre, um lugar que me direcionou para a melhor experiência da minha vida. Tudo foi tão rápido, quando vi estava em uma escola municipal auxiliando uma criança especial, um autista, no início foi muito difícil, recebi diversas críticas e cheguei a ser injustiçada, chorei, reclamei, pensei em desistir, mas ao invés disso, eu amadureci.

O estopim do meu desespero no estágio foi quando uma mãe disse para a direção que eu estava agredindo o filho dela, eu não entendia como uma pessoa poderia ser tão ruim, prejudicar uma jovem tão amável a troco de nada? Pois é, nada é fácil nessa vida, mas não podemos desistir porque no final tudo da certo!

Decidi que era hora de mudar a minha postura, parar de ser a estagiária boazinha e agir como deveria, ninguém nos paga para ficarmos até depois da hora, tampouco para apanhar de filho dos outros ou fazer o trabalho das professoras, mas as pessoas te exploram, tudo sempre sobra para o lado mais frágil, mas isso serve para que a gente cresça e não aceite as humilhações, muito menos os abusos.

Mas nem tudo é ruim, conheci crianças incríveis que mal tinham roupas, quem dirá oportunidades e eu, uma simples estagiária tive a honra de apresentar sonhos para cada uma delas e elas me retribuíram da melhor forma que poderiam, me deram amor e demonstravam das formas mais lindas, me davam desenhos, arrancavam flores para me dar e me abraçavam mais vezes do que eu poderia acreditar.

Enfim, a jornada é difícil, mas a recompensa é imensa, nada paga a alegria de uma criança.

Caroline David